domingo, 17 de novembro de 2013

Princípio da Facilitação das Trocas.


A assistência de saúde e os cuidados de enfermagem podem ser referidos em termos de ações de facilitação das trocas de matéria, energia e informações entre o sistema humano (família, comunidade, sociedade) e o ecossistema, em razão das dependências que constituam necessidades de saúde e necessidades de enfermagem, sempre integradamente sob os aspectos bio-psico-sócio- espirituais.

 

              Face à sua formação generalista, ao seu perfil e papéis profissionais, à variedade e abrangência do seu campo de ação e, fundamentado nos Princípios da Formação Generalista, da Abrangência do Ecossistema, da Ação Simultânea, da Extrapolação do Ciclo Vital, além de outros, todos da Teoria Sistêmico-Ecológica de Enfermagem, ao atuar tanto no estado de saúde como na situação de doença, mediante ações predominante de natureza preventiva, alicerçando suas atividades em fundamentos fisiológicos e ambientais (Fisioecologia), agindo sempre consoante os princípios da teoria acima referida, emerge então, o enfermeiro, como um dos principais profissionais facilitadores e integradores do processo de trocas de matéria, energia e informações entre o ser humano e o meio, no que tange às ações de saúde.

Para facilitação das referidas trocas, torna-se necessário que sejam efetuadas, inicialmente, ações extracorpóreas (exercidas extrapele), tais como a proteção de barreiras, a adequação do ambiente e a seleção de aportes (seleção ambiental de matéria, energia e informações a serem aportadas ao organismo):

Proteção de Barreiras: Refere-se às ações exercidas sobre a superfície corporal e cavidades: áreas cutâneo-mucosas (pele, boca, olhos, narinas, ânus, órgãos genitais e uretra) e fâneros.

Adequação do Ambiente: Corresponde a todas as ações sobre o meio externo, objetivando torná-lo melhor e mais confortável, protetor e sadio, possibilitando e facilitando as trocas entre o sistema humano e o ambiente.

Seleção de Aportes (Seleção Ambiental de Informações, Matéria e Energia, incluindo Alimentos, Medicamentos e outros): A seleção de energia, informações e substâncias a serem aportadas ao organismo, constituem um processo essencial para a consecução e/ou manutenção de sua homeostasia e representa uma etapa fundamental das Ações de Facilitação das Trocas entre o organismo e o ambiente, cuja adequação, constitui condição essencial para que ocorram convenientemente as Trocas Intracorpóreas (efetuadas Intra-pele) e que correspondem às diferentes atividades fisiológicas (processos químicos, físicos e físico-químicos) do nosso organismo, cuja descrição será efetuada, neste trabalho, mediante a utilização de um sistema discursivo característico, em consonância com os postulados da Teoria Geral dos Sistemas, da Cibernética, da Teoria de Informações, da Fisiologia e da Ecologia (Fisioecologia), sintetizados no Sistemismo Ecológico e na Teoria Sistêmico-Ecológica de Enfermagem.

As Trocas de Matéria Energia e Informações entre o sistema humano e o ambiente (intercâmbios extracorpóreos) e, as trocas intracorpóreas (que se realizam entre os órgãos, aparelhos e sistemas), correspondem à totalidade dos processos fisiológicos que ocorrem no organismo, sendo mediadas por uma complexa rede ou sistema de Trocas de Informações Extracorpóreas, isto é, ocorrem  entre o organismo, como um todo, e o  ambiente e, de Trocas de Informações Intrassistêmicas, como foi referido no Princípio anteriormente descrito.

Alguns aportes de matéria, energia e informações ao nosso organismo são compulsórios, isto é, independem, muitas vezes, de nossa consciência, de nossos sentimentos, de nossa vontade, de nossas decisões, de nosso controle, em razão das circunstâncias ambientais (ambiente físico, biológico, tecnológico e social, incluindo neste último os aspectos econômicos e financeiros). Entretanto, é possível desenvolver esforços no sentido de transformação e adaptação do ambiente às nossas reais necessidades e, reciprocamente, bem como de nossa adaptação e transformação pessoal, com vistas ajustarmos, o máximo possível, ao ambiente de natureza física, biológica, tecnológica e social (a repetição é proposital), a fim de atingirmos o máximo grau de higidez e de bem estar, permissível pelo nosso potencial genético e condições ambientais vigentes.

Para consecução deste propósito, é necessário selecionar e controlar, ciberneticamente (mediante avaliação e reajustes contínuos), tanto quanto possível, a maioria dos aportes de matéria, energia e informações ao nosso organismo, pessoalmente e/ou através do concurso de familiares e agentes facilitadores, consoante o Princípio de Seleção Ambiental dos Aportes de Matéria, Energia e Informações.

Pela ótica deste trabalho, as funções da consciência, o equilíbrio hidro-eletrolítico e ácido-básico, o funcionamento cardio-respiratório, as ações do sistema muscular, os controles através dos sistemas nervoso e hormonal, além de outros mecanismos e demais funções do organismo, em suma, todas as atividades metabólicas podem, ser compreendidos como processos internos de trocas de matéria, energia e informações, decorrentes de mecanismos de trocas de mensagens intrassistêmicas, em seqüência e coordenadamente com o processo de mensagens estabelecido entre o organismo, como um todo, e o ambiente (sistema de vida de relação), objetivando a consecução da homeostasia do organismo total, mediante regulação por meio de dispositivos automáticos ou cibernéticos (homeostáticos), tudo isto em conseqüência de um projeto constante da programação genética, influenciada pelas circunstâncias ambientais, pretéritas (históricas), presentes e potenciais (Princípio Genético, Histórico/Instantâneo).

Para que se atinja este funcionamento harmônico do organismo, ou seja, sua homeostasia, há necessidade de permanente e adequado “intercâmbio de matéria, energia e informações”, com o meio exterior, cujo favorecimento deve ocorrer consoante o Princípio de Facilitação das Trocas. Por outro lado, é  necessário que se promovam às Proteções de Barreiras e ocorram as Eliminações necessárias.

A aquisição ou aporte de matéria se processa pelas vias digestivas, respiratórias (trocas gasosas: aquisição de O2 e rejeição de CO.2), cutâneo/mucosas, podendo ocorrer também por via  parenteral, como no caso dos procedimentos terapêuticos.

Ingerida (aporte), digerida, absorvida, conduzida pelo sangue (transporte) pelo sangue e líquidos corporais, flui a matéria (alimentos, medicamentos e venenos) até a nível de órgãos e, portanto, de cada  uma  de suas células, onde ocorre a sua metabolização, sendo rejeitados os catábolitos para o ambiente celular e, conduzidos pela corrente circulatória (transporte) até aos locais de sua destruição ou de eliminação.

Trocas de Matéria, Energia e Informações entre a Célula e seu Ambiente: Cada uma das células, para bem desempenhar o seu papel, necessita permanentemente de insumos (aporte celular), constituídos de alimentos, oxigênio, além de produtos anabolizados no próprio organismo, os quais são conduzidos pelo sangue (transporte), passam para o espaço extravascular, daí para o interior da célula, onde sofrem transformações (metabolismo), rejeitando para o espaço extracelular (ambiente celular) os seus resíduos ou catabólitos e, no caso de células especializadas, também produtos do seu anabolismo (secreções úteis), como hormônios ou enzimas. Na dependência das funções digestivas, respiratória e circulatória, ocorrem as “trocas de matéria, energia e informações” entre o sistema célula e seu ambiente, mediante o transporte e, aportes na célula, processamento do metabolismo e rejeição dos  produtos catabólicos (eliminações celulares), que são conduzidos pelo sistema circulatório e/ou respiratório (transporte) e lançados ao meio exterior (eliminações) através das vias respiratórias, urinárias, glandulares, cutâneo-mucosas, cujo propósito é a manutenção da homeostasia. Portanto, a célula, como unidade biológica, considerada, por si só, um sistema, efetua constantes trocas de  matéria, energia e informações com o ambiente celular (espaço intercelular). Após a metabolização das substâncias aportadas, os catabólitos são lançados para o exterior das células e ambientes contíguos, situados no organismo inteiro e, deste para o seu ambiente global ou espaço extracorporal (eliminações), cujo prolongamento é o restante do universo. No caso particular de o cliente apresentar uma cianose, sabemos que tal é uma manifestação de um distúrbio de aporte de oxigênio (O2) à nível celular (hipóxia) e/ou deficiência de eliminação de dióxido de carbono (CO2), o que constitui a  hipercapnia.

Aporte Celular de Matéria: As substâncias conduzidas pelo sangue (transporte), transferem-se, por difusão, através das paredes dos vasos capilares, para o líquido extracelular, o qual fornece às células os nutrientes e outras substâncias exigidas para o seu funcionamento normal (metabolismo). Do espaço extracelular, para o interior da célula (aporte celular), o transporte através da membrana, ocorre por dois mecanismos: 1) difusão e 2) transporte ativo. A difusão corresponde a um movimento aleatório de moléculas e íons de uma solução mais concentrada para outra de menor concentração. Entretanto, algumas substâncias só conseguem difundir-se através da membrana celular mediante um mecanismo designado difusão facilitada, pelo qual a substância se combina primeiramente com uma proteína carreadora, na membrana celular, o que torna a substância solúvel na membrana, permitindo sua difusão até a face interna da membrana, onde será liberada para o interior da célula. Outro mecanismo, completamente diferente,  o transporte ativo, é feito mediante um mecanismo químico, específico da própria membrana, com consumo de energia e em oposição ao gradiente de concentração, por isso designado “transporte montanha acima”. Neste processo, a substância a ser transportada combina-se, primeiramente, com uma proteína carreadora, como ocorre na difusão facilitada e, a seguir, o conjunto difunde-se para a face interna da membrana. Finalmente, a energia oriunda do ATP é empregada para separar, a substância transportada, do elemento carreador (transportador). Exemplo deste mecanismo é a bomba de sódio-potássio, que transporta íons sódio para o exterior da célula (ambiente celular) e íons potássio para o interior, logo, contra os respectivos gradientes de concentração. São, também, transportados ativamente através das membranas celulares os íons cloreto, cálcio, ferro e hidrogênio. A glicose e os aminoácidos são, também, ativamente transportados, através da membrana de certas células, por um mecanismo designado de co-transporte de sódio, um pouco diferente do mecanismo de bomba do transporte ativo.  

Metabolismo (Anabolismo e Catabolismo): É o conjunto de transformações químicas que ocorrem no organismo, mais precisamente, reações que se passam no interior das células individuais, componentes dos tecidos. O metabolismo corporal é expresso pela intensidade ou velocidade com que a energia é liberada através do metabolismo dos nutrientes em todo o organismo. Suas funções são as de prover energia, resultante de mecanismos oxidativos celulares (respiração celular) para a realização das atividades corporais, bem como, para formar novas estruturas, tais como os ossos e o tecido nervoso e a síntese proteica, incluindo a produção de enzimas e hormônios, constituindo, pois, a base, não somente da provisão de energia, mas também, proporcionando o crescimento do organismo devido ao aumento de tamanho e de número de células, além da reparação das perdas. O metabolismo celular (atividades de transformações no interior das células) está na dependência das trocas de matéria, energia e informações intra-sistema humano, particularmente, entre a célula e o ambiente celular.

Metabolismo Intermediário: Muitos alimentos que aportam ao sangue, oriundos do tubo digestivo, podem ser usados pelas células dos tecidos sem qualquer alteração complementar, mas alguns tecidos têm necessidade de certas substâncias químicas que, normalmente não se encontram nos alimentos. Para produzir estas substâncias, uma grande parte de alimentos absorvidos passa por determinados órgãos, onde ocorre a sua transformação nessas substâncias requeridas pelas células. Tal processo recebe a designação de metabolismo intermediário. O fígado é um órgão adaptado para o metabolismo intermediário e para o armazenamento. Pode desdobrar as gorduras e as proteínas em moléculas menores, de maneira que as células de outros tecidos possam utilizar como fonte de energia para a síntese de substâncias específicas necessárias às células. O fígado forma, também, produtos necessários à coagulação do sangue, ao transporte de gorduras, à imunidade contra as infecções e a muitas outras finalidades. O fígado pode armazenar grande quantidade de gorduras, carbohidratos (glicídios) e, mesmo, proteínas, liberando-as, posteriormente, quando os tecidos assim o exigirem.      

Aporte de Energia Mecânica: Atinge o organismo através dos Agentes Traumáticos Mecânicos, provocando lesões traumáticas.

Apreensão e Impulsão de Matéria: Efetua-se pela ação dos Membros Superiores e Inferiores.  

Apreensão e Fragmentação de Matéria: Ocorre pela ação dos Membros Superiores e do Aparelho Dentário.

Aporte de Matéria: (Alimentos, Medicamentos e Substâncias Estranhas): Através da Cavidade Oral (Ingestão), Mucosas Oral, Nasal, Anal e, da própria Pele (Absorção) e Via Transcutânea (Venosa e Intramuscular).

Aporte de Alimentos (Ingestão): água, sais minerais e substâncias orgânicas como proteínas, glicídios, lipídios e vitaminas, destinados ao fornecimento de matéria prima para a construção das células, síntese de hormônios e enzimas e, liberação de energia para as atividades metabólicas e ambientais (ações sobre o ambiente, entre as quais deambulação, trabalho e atividades de lazer).

Desdobramentos de Alimentos (Digestão): 1) Processos Mecânicos (Mastigação, Deglutição e Movimentos Peristálticos) e 2) Processos Químicos (Hidrólises).

Desdobramento de Alimentos Mediante Processos Mecânicos: Compreende a mastigação, a deglutição (ato de engolir e os movimentos peristálticos). Na mastigação, o alimento é convenientemente fragmentado, o que faz aumentar a superfície das partículas alimentares ingeridas, facilitando a ação enzimática. Após a deglutição de o bolo alimentar, têm início os movimentos peristálticos, graças á ação da musculatura lisa e involuntária, existente no esôfago, no estômago e no intestino. Este conjunto de movimentos facilita o fluxo unidirecional do alimento ao longo do tubo digestivo.

Deslocamento dos Alimentos no Tubo Digestivo (Transporte): O alimento, após passar pela boca, é propelido, por meio do esôfago, para o estômago e, em seguida pelos intestinos delgado e grosso, antes de ser esvaziado pelo ânus. Durante seu trajeto através do tubo digestivo sofre a ação das enzimas digestivas, a quais são secretadas pelas glândulas gastrointestinais, desdobrando os alimentos em substâncias químicas simples (nutrientes), capazes de serem absorvidas pela parede intestinal, aportando ao sangue circulante.  

Desdobramento dos Alimentos por Processos Químicos (Digestão): Envolvem a participação de enzimas hidrolíticas (do grego hidro = água e lise = quebra, ruptura). Estas enzimas utilizam-se de água para promover a transformação de grandes moléculas em outras menores, capazes de serem absorvidas pelas superfícies da cavidade digestiva e penetrar na corrente sangüínea. Certas substâncias, como a água, o álcool, as vitaminas e os sais minerais, porque suas moléculas são suficientemente pequenas para serem absorvidas pelo organismo sem a ação das enzimas hidrolíticas, não sofrem o processo de hidrólise (dupla decomposição efetuada pela água).

Secreções Produzidas pelas Glândulas Exócrinas - Enzimas (Biocatalizadores): - 1) Glândulas Salivares (Parótidas, Submaxilares e Sublinguais) - Produzem a saliva que, além de enzimas (biocatalizadores), contém muco. 2) Secreção Gástrica (Suco Gástrico): contendo enzimas  (a principal é a pepsina que é uma protease, desdobrando as proteínas em frações peptídicas) e ácido clorídrico. A digestão no intestino delgado se realiza mediante a ação conjunta de três sucos digestivos: biliar, pancreático e entérico. 3) Secreção Pancreática - Suco Pancreático (enquanto glândula de secreção externa, o pâncreas produz): a) tripsina (protease) - desdobra proteínas a frações peptídicas. b) amilopsina (amilase) - (desdobra o amido em maltoses). c) lípases - desdobram os lipídios em ácidos graxos e glicerol, 4) - Secreção Entérica (suco entérico, produzido pela mucosa intestinal, estimulada pela secretina e, possivelmente por outro hormônio da mucosa intestinal - a enterocrinina, contendo quatro principais enzimas): a) peptidases - Reduz as frações peptídicas em aminoácidos, b) maltases - Reduz as maltoses a glicose, c) lactases - Desdobra a lactose a glicose + galactose, d) sucrases - desdobra  a sacarose em glicose + frutose, - Secreções Biliares (bílis, a qual não contem enzimas, mas sais biliares):  tauracolato e glicolato de sódio que têm por funções: a) emulsionar os lipídios, facilitando a função das lípases pancreáticas e contribuindo para a digestão lipídica, b) tornar solúveis os produtos da digestão lipídica, ou sejam,  ácidos graxos e gliceróis, possibilitando a sua absorção pela mucosa intestinal.

Transporte de Alimentos (Participam deste processo os Sistemas Digestivo, Circulatório e Linfático): 1) Deslocamentos (progressão) no Tubo Digestivo: Deglutição e Movimentos Peristálticos, 2) Absorção Intestinal (por difusão): Sistema Circulatório e Linfático.

Absorção Intestinal de Nutrientes (por difusão): Glicose, Ácidos Graxos,  Aminoácidos, Sais Minerais e Vitaminas.

Absorção de Medicamentos e Venenos: 1) - Mucosas (oral, intestinal e anal), por difusão e 2) - Via Parenteral (Transcutânea: intramuscular e intravenosa).

Transporte de Matéria e Energia em Geral - Através dos Sistemas Circulatório, Respiratório e Linfático: Nutrientes, O2, CO2, Resíduos Celulares, Medicamentos, Corpos Estranhos e outros.

Transporte em Geral - Sistema Circulatório: Coração (Bomba), Artérias, Veias e Vasos Capilares (Condutores de Sangue, Linfa e Matérias por estes  veiculadas).

Transporte e Distribuição de Nutrientes: Sistemas Circulatório e Linfático.

Aporte Celular de Nutrientes: Por difusão, saem dos capilares sangüíneos para o líquido extracelular e deste passam para o interior das células por difusão, transporte facilitado e transporte ativo - glicose, ácidos graxos e os aminoácidos, sais minerais e vitaminas, - constituindo os ingredientes para as atividades anabólicas ou sínteses celulares (produção de enzimas, hormônios) e, para a própria construção física das células (corpo celular).

Em resumo, o acesso de alimentos se efetua através da cavidade oral (aporte), percorre o tubo digestivo (transporte), é digerido (digestão), absorvido (aporte no sangue) e conduzido pelo sangue arterial (transporte), da mesma forma que conduz o oxigênio, até a intimidade celular (aporte celular) e, no caso específico da glicose, para participar da reação de respiração celular, (catabolismo ou metabolismo destrutor), liberando energia para manutenção da temperatura corporal, para os trabalhos da própria célula e para as demais atividades do organismo e ações sobre o ambiente (trabalho mecânico e intelectual).

Armazenamento Energético: Glicogênio, Tecido Adiposo e Muscular e Moléculas de ATP (Trifosfato de adenosina).

Sistema Auxiliar de Transporte - O Sistema Linfático é um sistema circulatório adicional e especial, constituído pela linfa, vasos linfáticos e por órgãos linfáticos como o baço, o timo e os gânglios linfáticos, tendo como função auxiliar a circulação sangüínea, coletando e distribuindo ácidos graxos e gliceróis, absorvidos no intestino, removendo o excesso de líquido intercelular, exsudado dos vasos sangüíneos, com o objetivo de prevenir edemas. (Vide Filtração e Remoção de Impurezas).

Transporte de Resíduos Celulares: Circulação sangüínea e linfática.

Filtração e Remoção de Impurezas: O sistema linfático contribui para a defesa do organismo, mediante a produção de anticorpos e linfócitos. A linfa, circulando pelos vasos linfáticos, ao passar através dos gânglios linfáticos e por processo semelhante ao da filtração, extrai a maior parte das grandes partículas e, onde as bactérias são engolfadas e digeridas por um tipo especial de células - as células reticuloendoteliais.

 Aporte de O2 - Através das fossas nasais: narinas e coanas (no caso desta, através da cavidade oral = respiração bucal).

Transporte de O2: Mediante as ações dos músculos respiratórios (diafragma e intercostais externos), os quais tem sua atividade regulada pelo centro respiratório, situado no bulbo, o O2 é conduzido pela inspiração, a partir das vias aéreas superiores até aos alvéolos pulmonares e, por difusão (absorção), atravessa a membrana respiratória (membrana pulmonar) e as paredes dos capilares, penetra nestes, promovendo a oxigenação do sangue, transformando-o de sangue venoso (pobre em O2) em sangue arterial (rico em O2), constituindo o fenômeno da hematose.

 

Aporte Sangüíneo, Transporte e Distribuição de O2: No sangue, a maioria do O2 penetra no interior das hemácias, por difusão, combinando-se com moléculas de hemoglobina para formar a oxihemoglobina, a qual é conduzida (pela circulação), a todas as células vivas do organismo.

Aporte Celular de O2: Ao chegar aos tecidos, o O2 se desliga da hemoglobina e, por difusão (perfusão celular) passa para o interior das células vivas, onde vai participar do processo respiratório propriamente dito (respiração celular), o qual  corresponde à oxidação (combustão) da glicose, catalisada por enzimas e com liberação de energia, utilizada para a formação de ATP (Adenosina Trifosfato) e de subprodutos: H2O e CO2.

Destarte, o oxigênio (contido no ar atmosférico) penetra pelas vias aéreas superiores (aporte), sendo transportado, através da inspiração, até atingir os alvéolos pulmonares (transporte), atravessando (difusão), as paredes dos alvéolos pulmonares e, também por difusão, penetra nos vasos capilares, onde se combina com a hemoglobina, formando a oxihemoglobina  (hematose), é veiculado pelo sangue, através das artérias até o nível dos vasos capilares, difundindo-se para o espaço intercelular  (transporte), daí, ainda por difusão, penetra na intimidade das células (aporte celular), juntamente com nutrientes e outras substâncias, também transportadas pelo sangue e necessárias ao metabolismo celular.

Aporte de Energia no Organismo: O aporte de energia ao organismo ocorre sob as várias modalidades conhecidas, como a calorífica, a acústica, a luminosa, a mecânica (agentes traumáticos e o toque) e todos os tipos de radiações, acompanhadas  ou  não de partículas (matéria), mas também chega ao corpo, contida nas ligações átomo-moleculares das substâncias orgânicas, sob forma de nutrientes (energia química) e que são transformadas em energia calorífica, elétrica, mecânica e  magnética.

Aporte de Matéria Estranha: l) Corpos Estranhos, 2) Substâncias Químicas Estranhas: a) Venenos e b) Material Peçonhento.

Aporte de Agentes Biológicos: l) Infecciosos: Invasão do organismo por Microorganismos (Infecções), 2) - Parasitários: Invasão o organismo por Parasitos (Infestação).

Extração de Energia dos Nutrientes - A maior parte da energia para as atividades do organismo é extraída de nutrientes energéticos, sendo liberada através da oxidação ou combustão (respiração celular), o que ocorre na intimidade das mitocôndrias, organela celular situada no citoplasma. Os principais nutrientes dos quais as células extraem a energia são o oxigênio e um ou mais tipos de alimentos. Os alimentos (glicose, ácidos graxos e aminoácidos), transportados pelo sangue, penetram na célula e, no seu interior, reagem quimicamente com o oxigênio, sob a ação catalítica de várias enzimas que controlam a velocidade e a intensidade dessas reações. A energia liberada dos nutrientes é usada para a síntese da Adenosina Trifosfato e canalizada para um fim adequado, tais como: a) transporte de substâncias através da membrana celular, como o transporte de potássio para fora das células e de sódio para o interior (bomba de sódio e potássio), b) síntese de proteínas e outras substâncias intracelulares, como fosfolipídios, colesterol e muitas outras, c) contração muscular, promotora de todos os movimentos corporais.

Formação do Trifosfato de Adenosina (ATP): O ATP é um nucleotídeo, formado pela base nitrogenada adenina, o glicídio (pentose ribose) e três radicais fosfatos, sendo que os dois últimos são presos ao restante da molécula por ligações fosfatos de alta energia, representadas pelo símbolo ~. Cada uma destas ligações armazena cerca de 8.000 calorias por mol de ATP, a qual é extremamente lábil, podendo ser quebrada instantaneamente, quando houver necessidade de energia para a concretização de outras reações celulares. 

Ressalvados os casos de respiração anaeróbica (quando há deficiência de oxigênio), a energia, agora contida nas moléculas de ATP destina-se, pois, a atender a todas as atividades das células e, portanto do organismo inteiro.

 A respiração celular, formadora de ATP, se processa segundo a seguinte reação simplificada:

 


 


    

       C6H12O6   +  O2   ®   CO2+ H2O  + ENERGIA

$

       enzimas

 

 

Em caso de necessidade, pequena quantidade de glicose pode ser catabolizada, sem a participação do oxigênio, constituindo a respiração anaeróbica, cujo subproduto é o ácido láctico.

Não se abordou aqui a extração de energia e conseqüente formação de ATP a partir dos lipídios (ácidos graxos) e das proteínas (aminoácidos), processos que ocorrem, paralela e complementarmente, ao metabolismo dos glicídios,  no que se refere a liberação de energia.

Produção Endógena de CO2 - Nas células vivas, o dióxido de carbono (CO2) é produzido continuamente, como produto residual (subproduto) da reação de respiração celular (combustão da glicose), reação produtora de energia,  referida acima, resultando num fluxo constante do mesmo do interior das células para o sangue, percorrendo um trajeto inverso ao descrito para o oxigênio.

Transporte de CO2 - Difunde-se das células vivas para o espaço intercelular, daí para os vasos capilares, diluindo-se no plasma sangüíneo e daí para o interior das hemácias, onde forma bicarbonato, o qual, por difusão retorna ao plasma, constituindo esta a principal forma de transporte dessa substância. Enquanto o O2 é conduzido, sobretudo pelas hemácias, sob a forma de oxihemoglobina, o CO2 é transportado através do plasma sangüíneo, principalmente na forma de bicarbonatos. Entretanto, parte do CO2 combina-se com a hemoglobina, formando a carboemoglobina, e, outra parte, é dissolvida no plasma, sendo por este conduzido até aos pulmões (transporte).Nos pulmões as reações descritas para o O2 ocorrem no sentido inverso, com a formação de CO2 e por difusão passa para o ar alveolar, de onde, mediante a expiração (transporte) segue pelos bronquíolos, brônquios, traquéia e faringe, de onde passa para as fossas nasais para ser eliminado.

Eliminação de CO2 - É realizada através do aparelho respiratório (Expiração). O dióxido de carbono, ao atingir as fossas nasais é, pelas narinas e, eventualmente, através da boca (passando pelas coanas), lançado ao meio exterior (eliminação), o que corresponde à etapa terminal da expiração.

Regurgitação Alimentar: Vômitos.

Neutralização de Sustâncias Tóxicas (No Fígado) - Ciclo da Ornitina: Transformação da muito tóxica amônia em uréia, a qual é menos tóxica.  

Eliminações: O somatório dos produtos catabólicos celulares, os sobejos do processo digestivo (substâncias não digeridas ou não absorvidas), as matérias não metabolizáveis, estranhas ou nocivas aos processos metabólicos, ou ainda, introduzidas em excesso no organismo e capazes de alterar as diversas constantes físicas ou químicas do sistema humano, devendo ser rejeitadas (Eliminações) através das vias digestivas, respiratórias, urinárias e cutâneo-mucosas, sob a ação de forças negentrópicas, mediante mecanismos homeostáticos (Integração, Regulação e Controle), as quais buscam, a todo transe, manter ou restaurar a higidez, a constância de composição (Homeostasia), cujos desvios constituem os estados patológicos ou situações com constantes diferenciadas, tal como acontece na senectude.

Aporte Exógeno de Energia Calórica: Oriunda do meio exterior, a energia contida nas ligações átomo-moleculares dos nutrientes é liberada através da respiração celular, podendo, excepcionalmente, penetrar no organismo por toda a superfície corporal, quando a temperatura ambiental é maior que a temperatura interna (insolação e intermação).

Produção Endógena de Energia Calórica - O metabolismo corporal é a expressão da intensidade ou velocidade com que a energia é liberada pelo metabolismo dos nutrientes no interior do organismo, mediante o processo de respiração celular (combustão), que em condições de estrito repouso é designado metabolismo basal (60 a 70 calorias por hora), o necessário para a manutenção da constância da temperatura corporal e das demais atividades fisiológicas, em nível mínimo, podendo aumentar em até 20 vezes durante o exercício acentuado, capaz de aumentar o metabolismo de forma mais intensa que qualquer outro tipo de estímulo, como: l) - a estimulação simpática (aumenta duas vezes), 2) - o efeito do hormônio tireoidiano, aumenta cerca de duas vezes e 3) - a febre (pirexia ou hipertermia), aumenta cerca de duas vezes para cada elevação de 8o C da temperatura corporal. Eventualmente, toda a energia liberada pelos nutrientes é transformada em calor, exceto em condições muito especiais, incluindo a maior parte da energia que promove a contração muscular é transformada em calor, em conseqüência do atrito das articulações, da viscosidade do movimento do próprio músculo. É este calor que conserva o corpo aquecido.

Transferência de Energia do Corpo para outro Sistema (exceto perdas calóricas): Trabalho Muscular e Atividades Intelectuais, os quais correspondem à transferência de energia (Negentropia) do corpo de uma pessoa ou de um grupo para outra(s) pessoa(s) e/ou para o ambiente.

 Transporte de Energia Calórica: É transportada pelos fluidos circulantes e, segundo os Princípios da Termodinâmica, por toda a massa corporal.

Controle (Regulação) do Equilíbrio Térmico: A temperatura Corporal é controlada, de modo preciso, mediante o equilíbrio entre a intensidade da perda de calor e a intensidade da produção de calor. O controle da temperatura, pela regulação, tanto da perda como da produção do calor é feita pelos centros nervosos hipotalâmicos, chamados de termostato hipotalâmico. Os centros do hipotálamo anterior são diretamente responsivos à temperatura do sangue, ficando gradativamente mais ativos com o aumento da temperatura sanguínea, e menos ativos, quando esta diminui. Essas áreas, por sua vez, regulam a temperatura corporal. Quando a temperatura corporal aumenta acima da temperatura  normal de 37oC, a intensidade da perda de calor fica maior que a da produção de calor. Inversamente, no caso de temperaturas abaixo desse limite normal, o termostato hipotalâmico reduz ciberneticamente a perda de calor e aumenta a sua produção. Basicamente, tal mecanismo controla: 1) Intensidade do fluxo sanguíneo pela pele, o que regula o calor pela pele, 2) a sudorese, o que resfria o corpo, 3) controla os calafrios, o que aumenta de muito a produção de calor, 4) a secreção de norepinefrina e de epinefrina pelas medulas supra-renais, 5) controla a secreção de hormônio tireoidiano, com efeito direto sobre a produção de calor por todas as células do corpo. 

Transferência ou Eliminação de Energia Calórica: A temperatura corporal é controlada, de modo preciso, pelo equilíbrio entre a intensidade da perda de calor e a intensidade da produção de calor. O calor produzido no corpo precisa ser continuamente eliminado, pois se tal não ocorresse, a temperatura aumentaria contínua e indefinidamente. O corpo perde calor, cedendo ou transferindo-o ao ambiente (trocas de energia) através de toda a superfície corporal, por três mecanismos: l) por radiação, 2) por condução para o ar e para os objetos sólidos e,      3) por evaporação da água dos pulmões e pela pele, especialmente através do suor, tanto mais quanto a evaporação do suor é uma reação endotérmica.

Eliminação de Excesso de Tecido Adiposo: Atividade Muscular Intensa, Exercícios Físicos e Dieta Hipocalórica.

Trocas de Matéria, Energia e Informações Via Transplacentária: Nutrição, Respiração, Excreção e outras Atividades Fetais - A mãe fornece nutrientes, incluindo o oxigênio, para o crescimento do feto, através da placenta  (estrutura fibrosa fixada à parede interna do útero), por onde flui o sangue fetal, oriundo do feto. Os nutrientes se difundem do sangue materno para o sangue fetal, através da membrana da placenta, a qual se assemelha à membrana do sistema respiratório. Por idêntico mecanismo, os produtos de excreção do feto, passam para o sangue materno. Assim, o feto é nutrido e elimina seus produtos de excreção, efetuando, um trajeto de dupla via que corresponde a um sistema de trocas matéria, energia e informações através do sangue materno, pelo período de nove meses, até que se torne capaz de se manter vivo no meio exterior, quando é expelido pelo útero materno.

Rejeições Celulares: CO2 e outros catabólitos são lançados, através da membrana celular, no espaço intercelular (ambiente celular).

Remoção do Excesso de Líquido Intercelular Exsudado dos Capilares Sangüíneos - Filtração e Remoção de Impurezas: Circulação Linfática e um sistema Auxiliar da Circulação Sangüínea. O Sistema Linfáticoé constituído de: Linfa, Vasos Linfáticos e Órgãos Linfóides (Baço, Timo).  

Perdas Sangüíneas: Hemorragias, em todas as suas formas, incluindo hemoptise, hematêmese, melena, metrorragia e outras.  

Regurgitação alimentar: Vômitos.

Eliminações: O somatório dos produtos catabólicos celulares ou excesso de substância introduzidas no organismo, que provocam a alteração das diversas constantes do sistema humano, devem ser rejeitadas (Eliminações) pelas vias digestivas, respiratórias, urinárias e cutâneo-mucosas, sob a ação de forças negentrópicas e de mecanismos homeostáticos (Controle, Integração e Regulação), que buscam, a todo transe, manter a higidez, a constância de composição do organismo (Homeostasia), cujos desvios constituem os estados patológicos ou, possuem  constantes diferenciadas, como na senectude.

Eliminações de Secreções (Fisiológicas e Patológicas): Respiratórias, Salivares, Sudoríparas, Uretrais, Vaginais e outras, bem como resultantes de quaisquer processos inflamatórios. Estas eliminações se processam através das glândulas exócrinas (salivares, sebáceas, sudoríparas), além das secreções pulmonares, do aparelho urogenital ou mediante vômitos, excreção de fezes, urina  e outros.

Filtração Sangüínea: Rins - As principais funções dos rins são: 1) remoção e rejeição de produtos finais do metabolismo, os quais devem ser eliminados (resíduos celulares), sob a forma de uréia, acido úrico, creatinina, fosfatos, sulfatos,  excesso de ácidos  e outros, 2) controle das concentrações da maior parte das substâncias iônicas no líquido extracelular, inclusive de íons como: o íon sódio (NA+), o íon potássio (K+) e o íon hidrogênio (H+), 3) reabsorção tubular dos constituintes necessários ao organismo: nutrientes, entre os quais a glicose, os aminoácidos, a água e a maior parte de íons, principalmente o íon  (NA+), 4) regulação osmótica (equilíbrio hidro-salino) e ácido-básico dos fluidos corporais, equivalendo a dizer, da homeostasia. O filtrado glomerular, que chega à cápsula de Bowman, é um ultrafiltrado do plasma que passa para o sistema tubular, onde diariamente chega cerca de 180 litros desse filtrado, sendo quase totalmente reabsorvido para o sangue, exceto cerca de pouco mais de um litro que passa para a pelve renal, constituindo a urina.

Transporte da Excreção Renal (Urina): Através dos ureteres chega à bexiga urinária (reservatório temporário de urina) e, na realidade situado “exteriormente” ao organismo

Transporte Urinário: A urina formada pelos néfrons é vazada (trocas de matéria entre o interior do organismo e o seu exterior), por meio de canais (ou tubos coletores), na pelve renal, pois estas estruturas, como a bexiga urinária, embora situadas virtualmente no interior do organismo, constituem, na realidade, espaços exteriores ao mesmo, uma vez que possuem abertura (uretra e esfíncter uretral externo) que as comunica diretamente (sem a interposição de qualquer estrutura) com o exterior do organismo (ambiente). Desse ponto, mediante fortes contrações peristálticas do ureter, a urina é propelida (transporte de matéria) para a bexiga urinária (depósito temporário), mesmo quando a pressão, no seu interior, esteja muita elevada.

Depósito de Urina: Bexiga urinária, virtualmente situado no interior do organismo, mas na realidade, “externamente”, pois possui abertura que se comunica diretamente com o exterior do organismo. 

Eliminação de Urina: Da bexiga, a urina é transportada pela uretra e lançada no meio ambiente. O esvaziamento da bexiga, pelo transporte da urina pela uretra até o meio exterior, é o processo da  micção. Quando a bexiga se torna demasiamente cheia, os receptores neurais (interoceptores) de estiramento, situados na parede desse órgão, são excitados e sinais neurais (informações) são transmitidos (transporte) para a extremidade caudal da medula espinhal (destinatária de mensagem). Desse ponto, sinais reflexos (mensagem), retornam para a parede da bexiga, fazendo com que esta se contraia (reflexo da micção), o que força a urina a passar para o orifício da uretra, através da qual é conduzida (transportada) até o exterior. Se tal ocorre em momento adequado para que a pessoa possa urinar, ela, de modo voluntário, relaxa o esfíncter uretral externo, o que permite a ejeção da urina  (Eliminação).

Depósito de Resíduos Intestinais: Intestino Grosso.

Eliminação de Resíduos Intestinais (Fezes): Ocorre através do ânus.

Promoção da Saúde, Prevenção, Diagnóstico Precoce, Limitação de Danos e Restauração da Homeostasia: Além da integridade de todas as  funções do organismo, há necessidade de outros fatores, como a manutenção da constância de composição do meio interno (constantes químicas) e das constantes físicas para que a fisiologia celular, organísmica e geral venha a se processar sem contratempos, assegurando a homeostasia do organismo como um todo, a qual corresponde, assim, ao somatório de todos os processos homeostáticos (ou cibernéticos) parciais (das células, dos tecidos, dos órgãos e dos sistemas), comandados por inúmeros dispositivos cibernéticos (mecanismos de controle automático), na dependência de uma complexa rede de informações (programadas pelo código genético) e mediadas por matéria e energia e informações,as quais são expressas pela concentração de substâncias, como o teor de glicose e hormônios no sangue, osmolalidade, temperatura, pressão, pH, aporte de energia luminosa (fenômeno da visão), acústica, eletricidade cardíaca, trocas térmicas e outras. Todas as necessidades do organismo objetivam, pois, assegurar o equilíbrio (homeostasia) do sistema de trocas de matéria, energia e informações, entre o referido organismo e o ecossistema.

A matéria, independentemente de seus próprios átomos constituírem um condensado de energia (esta não utilizável nos organismos vivos), as substâncias compostas armazenam energia, em suas ligações átomo-moleculares, podendo liberá-la, através da respiração celular (oxidação ou combustão), para utilização nas diversas atividades do organismo.

A satisfação das necessidades básicas, mediante a adequação dos intercâmbios de matéria, energia e informações com o meio externo (ambiente), visa a consecução da harmonia de todas as atividades do organismo (homeostasia) e dos seus efeitos.

À medida que o homem vai incorporando as informações recebidas, adicionadas às já contidas no código genético, vai alterando o seu "patrimônio" comportamental, reformulando-o e reajustando (“feedback”), em acorde com a quantidade e qualidade dessas informações (processo comunicativo), o que, na verdade, irá influenciar suas decisões e afetar sua maneira de ser, sua personalidade, seu comportamento e seu desempenho.

As ações desenvolvidas por uma pessoa dependem do seu comportamento, o qual decorre, geralmente, do seu estado fisiológico (nível de homeostasia) que, por sua vez, resulta da sua consciência, porque esta influencia, em grande parte, as trocas de matéria, energia e informações que se processam no seu organismo, sobretudo aquelas que podem ser controladas pelas ações conscientes.

Obviamente em função do seu patrimônio genético e do "back-ground" da pessoa (efeitos cumulativos das trocas de matéria, energia e informações ao longo do processo vital) e das condições ambientais pretéritas e presentes, serão orientadas as  novas  trocas, que influenciarão as condições homeostáticas em  cada  instante da vida e, portanto, entre outras o estado de saúde ou de doença do indivíduo, no momento  considerado.

Todos os seres vivos, além das informações contidas no seu código genético, acrescidas daquelas coletadas por uma complexa rede de informações, existente em todas as partes do organismo, construída mediante as instruções do próprio código genético, coletam informes do ambiente (aportes), através de diversos órgãos e mecanismos, a fim de se situar adequadamente nesse ambiente. Estas informações constituirão estímulos que, por sua vez, ensejarão a emissão de respostas conscientes ou inconscientes. Tanto as informações quanto as respostas correspondentes são mediadas por matéria, energia e/ou informações. Em decorrência de sua adequação ou inadequação, esse conjunto de trocas poderá contribuir para a perfeita realização de todas as funções do organismo, tanto da vida vegetativa como da vida de relação, enfim, para a homeostasia total do organismo ou, ou ao reverso, para dificultá-la, podendo atingir um nível de desvio da homeostasia, o que constitui a doença.

De certo modo, a maioria das espécies animais dispõe de mecanismos de trocas de informações com o ambiente, adequados ao seu modo de vida, ainda que, em organismos inferiores, tal fenômeno ocorra apenas de maneira rudimentar. 

O homem passa a maior parte do seu tempo em atividades comunicativas e, desta forma, o sucesso ou o fracasso de cada um, o seu estado de saúde ou de doença está, em grande parte, na dependência da coleta e processamento de informações e das respostas aos estímulos informacionais, decorrentes tanto de mecanismos genéticos como de condicionamentos por processos culturais.

Para a introdução de determinada matéria no organismo (substância), quer com fins nutritivos, quer com objetivos terapêuticos, é conveniente conhecimentos relativos à                                         estrutura, composição e ao metabolismo das espécies químicas introduzidas.

O conhecimento destes princípios facilita, enormemente, os procedimentos nutricionais, pois a utilização de substâncias, em qualidade e proporções adequadas, favorece os mecanismos homeostáticos ou cibernéticos do organismo, que desta forma, não precisarão se esforçar tanto para reparar as agressões ao organismo (efetuadas através de alimentos, medicamentos, bebidas ou substâncias tóxicas ou impróprias), capazes de alterar sua constância de composição ou homeostasia, a qual deve ser preservada ou restaurada, a qualquer custo.

As trocas de informações, como já sabemos, não se processam apenas  entre o sistema humano e o ecossistema, mas também intra-sistema humano (intra-somático).

 Os diferentes subsistemas do organismo, mediante mecanismos neurais, hormonais, enzimáticos, térmicos, químicos, pressóricos, elétricos e outros, trocam informações entre si, no sentido do desencadeamento de cada uma de suas ações reguladoras ou homeostáticas, isto é cibernéticas.

As relações com o ambiente são estabelecidas pelo sistema de vida de relação. Este sistema é integrado pelo Aparelho Locomotor, órgãos da Visão, Audição, Fonação, por Receptores Cutâneos de Informações: (dor, tato, pressão, calor, frio, odor e paladar), pela linguagem articulada, apanágio da espécie humana, pela comunicação escrita, pelas expressões corporais e, através da utilização de variados instrumentos de comunicações.

Conclusões: Como se depreende do que foi exposto, o Pensamento Sistêmico-Ecológico (Sistemismo Ecológico), assim como a Teoria Sistêmico-Ecológica de Enfermagem, além de utilizar os conceitos, idéias e princípios da Teoria Geral dos Sistemas, da Cibernética e da Teoria de Informações, se apóiam, sempre e enfaticamente, na Fisiologia e na Ecologia, cuja junção constitui a Fisioecologia, podendo, tudo ser resumido pelo conceito de “trocas de matéria, energia e informações” entre o sistema humano e o ambiente e, da mesma forma, pelas trocas efetuadas no interior do organismo, entre células, órgãos, aparelhos e sistemas, consoante o princípio de “Trocas de informações Intra Sistema Humano.”

Destarte, as ações dos profissionais de saúde e de enfermagem constituem-se, na verdade, em procedimentos capazes de facilitar e/ou integrar essas trocas entre o organismo e seu meio externo, porém, necessitando inicialmente, efetuar Ações extracorpóreas como as de Adequação do Ambiente (todas as ações sobre o meio externo, objetivando torná-lo melhor e mais confortável, protetor e sadio, possibilitando e facilitando o sistema de intercâmbio entre o organismo e o ambiente) e as de Proteção de Barreiras: (Atuação sobre as Áreas Cutâneo-Mucosas, Cavidades e Fâneros), além da Seleção de Aportes ao organismo (ingresso de informações, energia e matéria, incluindo Nutrientes e Medicamentos).

Os aportes ao organismo devem ocorrer em consonância com as características e condições do mecanismo de Trocas Intracorpóreas (atuação objetivando reflexos positivos sobre o meio interno), considerando-se de per si, cada uma das funções  (fisiologia) do organismo, bem como objetivando a facilitação de todas as Rejeições ou Eliminações de produtos indesejáveis, o que sintetiza, perfeitamente, o sistema de “Trocas de Matéria, Energia e Informações”, que ocorre, sempre, no organismo humano, como entre qualquer sistema e o seu ambiente.
O fato de se preconizar a coleta dados e a atuação, sempre e simultaneamente, sobre o organismo e o ambiente, é que caracteriza o Pensamento Sistêmico Ecológico (Sistemismo Ecológico) e a Teoria Sistêmico-Ecológica de Enfermagem, constituindo o primeiro um referencial aplicável a qualquer setor das atividades humanas, enquanto a segunda, um corresponde a um paradigma específico para a enfermagem.
 



Eliminações: O somatório dos produtos catabólicos celulares, os sobejos do processo digestivo (substâncias não digeridas ou não absorvidas), as matérias não metabolizáveis, estranhas ou nocivas aos processos metabólicos, ou ainda, introduzidas em excesso no organismo e capazes de alterar as diversas constantes físicas ou químicas do sistema humano, devendo ser rejeitadas (Eliminações) através das vias digestivas, respiratórias, urinárias e cutâneo-mucosas, sob a ação de forças negentrópicas, mediante mecanismos homeostáticos (Integração, Regulação e Controle), as quais buscam, a todo transe, manter ou restaurar a higidez, a constância de composição (Homeostasia), cujos desvios constituem os estados patológicos ou situações com constantes diferenciadas, tal como acontece na senectude.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

HOMEOSTASE E PROTEÇÃO

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A HOMEOSTASE

O nosso organismo tem a capacidade de manter suas funções constantes dentro de certos limites, chamada de homeostase.
Esse termo foi proposto por Cannon (1939) e pode ser hoje discutido no nível da fisiologia celular, dos indivíduos e até das populações. Aliás, o famoso fisiologista Claude Bernard já salientava que a constância do meio interno é a condição básica para a vida.
A capacidade de homeostase depende de feedback ou retroalimentação. O aumento ou a diminuição de uma determinada função provoca uma alteração (física ou química) no organismo; essa alteração desencadeia uma reação para a correção funcional, garantindo o equilíbrio dinâmico dessa função. Podemos entender melhor com um exemplo, o da regulação do ritmo respiratório:
1. Aumento da concentração de CO2 presente no sangue que passa pelo bulbo, no encéfalo.
2. Ativação de centro respiratório, que manda estímulos para o diafragma.
3. Aumento do ritmo de contrações do diafragma, aumentando o ritmo respiratório.
Conseqüência: diminuição da concentração do CO2 no sangue, inibindo o centro respiratório e conseqüentemente reduzindo o ritmo respiratório.


A PROTEÇÃO PELO SISTEMA TEGUMENTAR

Pode causar estranheza a afirmação de que a pele é o nosso maior órgão e que nem sempre percebemos o quanto ela é importante para a nossa proteção e adaptação ao meio. A camada córnea da pele, resistente e impermeável, faz eficiente proteção contra agentes físico-químicos (atrito, luz, substâncias tóxicas e corrosivas) e ainda impede a penetração de microrganismos parasitas. Ela tem estruturas sensoriais que nos permite a percepção de pressão, frio, calor e dor. A derme, que é bastante irrigada por uma rede de capilares, pode regular o fluxo sangüíneo periférico, com maior ou menos perda de calor, participando, portanto, ativamente de termorregulação, que também depende da eliminação de suor pelas glândulas sudoríparas. Já as glândulas sebáceas lubrificam a pele e os pêlos, tornando-os mais flexíveis.
A camada pigmentar, na região profunda na epiderme, protege as camadas mais internas da pele, pois seus melanócitos absorvem boa parte dos raios ultravioleta da luz solar. Isso diminui o risco de lesões, como por exemplo, queimaduras e câncer de pele, este último freqüente em casos de exposições excessiva e prolongada ao sol.


METABOLISMO E NUTRIÇÃO

O METABOLISMO

O nosso organismo realiza, a cada segundo, milhares de diferentes reações químicas no interior de seus diferentes órgãos e tecidos. Nessas reações estão incluídas as ações específicas de incontáveis enzimas, hormônios e mediadores químicos da transmissão dos impulsos nervosos. Há ainda todas as reações de síntese e desdobramento das mais variadas substâncias que continuamente assimilamos ou eliminamos. O conjunto de todas essas transformações químicas que ocorrem num ser vivo é chamado de metabolismo geral.
No metabolismo, chamamos de anabolismo a etapa construtiva na qual os nutrientes são assimilados e utilizados nas sínteses de novas substâncias indispensáveis ao crescimento, à manutenção e à regeneração do organismo. O catabolismo, ao contrário, é a etapa destrutiva, que implica quebra ou desdobramento de moléculas, com liberação de energia e eliminação de substâncias de excreção. A energia liberada no catabolismo é utilizada nos processos de anabolismo. Ao conjunto das reações que implicam trocas energéticas no organismo dá-se o nome de metabolismo energético.

A NUTRIÇÃO

Para manter um metabolismo equilibrado, o organismo deve obter continuamente os chamados nutrientes, substâncias fornecidas pelos alimentos, os quais precisam ser consumidos em quantidade e variedade adequadas.
Uma vez digeridos os alimentos, os seus nutrientes são absorvidos e distribuídos para todos os tecidos. Alguns nutrientes são usados para a construção e a reparação da matéria viva; outros são desdobrados para a liberação da energia às atividades vitais.


Os alimentos

Os alimentos que ingerimos têm, em geral, composição química complexa: parte orgânica e parte mineral. Desta última, os dois elementos mais abundantes no organismo humano são o cálcio (mais de 1kg) e o fósforo (mais de 0,5kg), além de doses bem menores de potássio, enxofre, sódio e cloro. O meio intracelular é mais rico em potássio e fósforo, enquanto o meio extracelular é mais rico em sódio e cloro.
As substâncias orgânicas, de acordo com as suas funções no organismo, são classificadas em plásticas (proteínas), energéticas (carboidratos) e reguladoras (vitaminas).

A alimentação diária

Como resultado de muitos anos de estudos relativos à nutrição, foi proposto por Welsh (1992), nos Estados Unidos, um roteiro para a escolha de uma dieta equilibrada, com os tipos e as quantidades de alimentos que as pessoas devem consumir diariamente. É uma espécie de guia alimentar para que as pessoas possam escolher facilmente uma alimentação adequada às suas necessidades, sem comprometer a saúde por excesso ou deficiência de algum nutriente.
Surgiu assim a Pirâmide Alimentar, de fácil visualização e, portanto, de utilização prática. A pirâmide propõe algumas importantes sugestões: dieta com alimentos variados, pobre em gorduras e rica em cereais, frutas e verduras; sal, açúcar e bebidas alcoólicas com moderação.




A importância nutricional das proteínas

Além da função plástica, as proteínas são também responsáveis pela proteção do organismo. A carência nutricional protéica provoca graves problemas de saúde, como edemas, enfraquecimento geral, baixo metabolismo, lesões cutâneas, redução da taxa de crescimento, sendo particularmente grave em crianças novas, caracterizando o chamado kwashiorkor.
As fontes de proteínas são sobretudo carnes, peixes, ovos, feijão e soja. Todas as proteínas são formadas por aminoácidos e, dos vinte existentes, nosso organismo é capaz de sintetizar doze. Os oito restantes devem ser obrigatoriamente obtidos dos alimentos, sendo chamados aminoácidos essenciais. Portanto, em qualquer dieta alimentar, devemos nos preocupar com o consumo de proteínas que contenham os aminoácidos essenciais em doses adequadas para garantir a síntese de todas as nossas proteínas específicas.

As gorduras e o colesterol

Um dos problemas nutricionais que mais preocupa as pessoas é o relacionado ao consumo de gorduras. De fato, as gorduras desempenham importante papel no aumento do peso corporal, trazendo graves problemas de saúde.
Da digestão das gorduras resultam o glicerol e os ácidos graxos. Estes são classificados em dois grupos: os saturados e os insaturados. Os ácidos graxos insaturados têm ação protetora contra a formação dos perigosos ateromas – as placas gordurosas –, que causam obstrução das artérias.
O colesterol é um importante constituinte das membranas celulares e está relacionado à síntese de esteróides que compõem alguns hormônios e os sais biliares. No sangue ele está associado a lipídios e proteínas formando glóbulos ou corpúsculos de lipoproteínas. Tais corpúsculos têm diferentes tamanhos e densidades, sendo bem conhecidos como o LDL (Low Density Lipoprotein) e o HDL (High Density Lipoprotein).

As vitaminas

As vitaminas são substâncias reguladoras que devem ser continuamente incorporadas ao organismo, em doses muito pequenas, para garantir um metabolismo normal. Elas não têm, portanto, uma função energética ou plástica, mas sua deficiência provoca claros sintomas, características das chamadas carências ou avitaminoses.
São simbolizadas por letras e costumam ser reunidas em dois grupos, de acordo com sua solubilidade em água (hidrossolúveis – B e C) ou em lipídios (lipossolúveis – A, D, E, e K).


A DIGESTÃO


O PROCESSO DIGESTIVO

O papel da digestão é transformar as moléculas grandes e complexas dos alimentos em outras, pequenas, simples e solúveis. Assim, um polissacarídeo, como o amido, só pode ser utilizado após ser desdobrado em muitas moléculas de glicose. As proteínas, que são macromoléculas, devem ser desdobradas até seus aminoácidos constituintes. Já os lipídios são desdobrados em glicerol e ácidos graxos.
É somente após essas modificações que os nutrientes podem ser distribuídos por todo o organismo através do sangue e da linfa.
A digestão abrange processos mecânicos e químicos. Os primeiros correspondem à preparação e à mistura dos alimentos com as enzimas para a efetivação da digestão química. A mastigação, a deglutição e o peristaltismo (peristalse) são atividades mecânicas, controladas por ação nervosa, voluntária ou não. Já as etapas químicas de digestão, que dependem da produção e ação de numerosas enzimas e de outras substâncias auxiliares, são reguladas por ação nervosa e hormonal.

A DIGESTÃO NO SER HUMANO

O tubo digestório humano compreende: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Suas glândulas anexas são os três pares de glândulas salivares (parótidas, sublinguais e submaxilares), o fígado e o pâncreas.
Na boca o alimento é mastigado e misturado à saliva, que contém uma amilase, a ptialina. Inicia-se aí o desdobramento das moléculas de amido.
Uma vez deglutido o alimento, o peristaltismo do esôfago empurra-o para o esfíncter (cárdia) da entrada do estômago. Fortes contrações misturam o alimento ao suco gástrico, uma solução clara e ácida (pH = 1,5 a 2) que contém ácido clorídrico. Este ácido em função anticéptica, pois evita putrefações causadas por bactérias ingeridas com os alimentos. Além disso, catalisa a conversão do pepsinogênio (inativo), produzido pelas glândulas da mucosa gástrica, em pepsina e mantém um pH ótimo para a ação desta enzima.
Além da pepsina, uma forte protease que inicia a digestão das proteínas, o suco gástrico contém também uma lípase fraca e reina que coagula a proteína do leite (caseína), facilitando sua digestão.
Depois de algum tempo no estômago, o alimento se apresenta como uma pasta, o quimo, que passa lentamente para o duodeno através do piloro, um esfíncter semelhante ao cárdia. No duodeno, que é a porção inicial do intestino delgado, desembocam os canais do pâncreas (pancreático) e do fígado (colédoco). O suco pancreático é rico em bicarbonato de sódio, que neutraliza a acidez do quimo, elevando o pH para 7-8, valor ótimo para a ação das enzimas pancreáticas amilase, lípase e tripsinogênio. Este último é convertido em tripsina ativa pela ação da enteroquinase, produzida na própria mucosa duodenal. Ainda no duodeno ocorre a descarga da bile, que é produzida pelas células do fígado (hepatócitos) e armazenada na vesícula biliar. A bile é uma solução amarelo-esverdeada, sem enzimas digestivas, mas de forte ação emulsionante, que funciona, portanto como um verdadeiro detergente, transformando as gorduras em finíssimas partículas, facilitando sua digestão pelas lípases do suco pancreático e do suco entérico (intestinal). Além da ação laxativa, a bile favorece a absorção das vitaminas lipossolúveis, que se encontram misturadas às gorduras dos alimentos em digestão.
Ao longo do intestino delgado ocorrem as etapas finais do desdobramento das substâncias pela ação do suco entérico, que contém várias glucidases (lactase, maltase, sacarase), além de lípases e peptidadeses. São estas últimas que desdobram os peptídeos em aminoácidos.
Os produtos finais da digestão ficam em solução, o quilo, e em condições de serem absorvidos. A grande capacidade de absorção dessas substâncias simples (glicose, frutose, aminoácidos, ácidos graxos e glicerol) pela mucosa do intestino deve-se às suas inúmeras vilosidades e às microvilosidades da superfície livre das suas células epiteliais. Na parede intestinal, esses nutrientes chegam aos vasos sangüíneos e linfáticos e caem na circulação geral. Antes, o sangue rico em nutrientes é lavado por veias ao fígado, o qual metaboliza as substâncias tóxicas absorvidas (função antitóxica).
Os restos que não são digeridos, misturados ainda a grande volume de água, passam para a primeira porção do intestino grosso, o ceco, uma espécie de bolsa que continua pelo cólon ascendente, do lado superior, e tem o apêndice do lado inferior.
O intestino grosso (cólon ascendente, transverso e descendente) é responsável por grande reabsorção de água; consequentemente, o material não-digerido que chega ao reto, sua porção final, já constitui as fezes, semi-sólidas. As fezes contêm ainda restos de descamação da mucosa digestiva e grande número de bactérias da flora intestinal, além dos pigmentos biliares que lhes dão a cor característica. Finalmente, a explusão das fezes se processa pela abertura do esfíncter anal.
A atividade do intestino, especialmente seu peristaltismo, é estimulada pela ingestão de alimentos de origem vegetal (frutas, verduras, cereais), ricos em fibras (celulose), o que favorece e regula a defecação e diminui o risco do aparecimento do comum e temido câncer do intestino grosso.


REGULAÇÃO DA DIGESTÃO

Sabemos que a secreção de alguns sucos digestivos pode ser iniciada por diferentes estímulos, por exemplo, visuais e olfativos, de tal maneira que podemos insalivar ou produzir suco gástrico apenas vendo um alimento ou sentindo seu cheiro. Mas, associada ao controle nervoso, há também uma ação hormonal de regulação, que tanto estimula quanto inibe a secreção dos sucos digestivos.
A chegada de alimento ao estômago faz com que células da sua mucosa produzam um hormônio, a gastrina, a qual, por via sangüínea, é levada às glândulas gástricas, estimulando-as a produzir suco gástrico.
Saindo do estômago, o quimo acidificado estimula a parece do duodeno a produzir um hormônio, a secretina. Ela é levada pelo sangue ao pâncreas e o estimula a liberar o suco pancreático no duodeno. O mesmo quimo, rico em gorduras, também estimula a parede do duodeno a liberar outro hormônio, a colecistocinina, que vai provocar fortes contrações na musculatura lisa da vesícula biliar, permitindo a explusão da bile.
A enterogastrona é outro hormônio da mucosa duodenal que, levada pelo sangue ao estômago, inibe sua motilidade e secreção. Essa inibição ocorre com a passagem de uma porção do quimo pelo piloro. Quando esse alimento deixa o duodeno, esvaziando-o parcialmente, cessa a produção de enterogastrona, e o estômago, agora não mais inibido, reinicia a motilidade, deixando passar nova porção de quimo para o duodeno e reiniciando o ciclo.


A CIRCULAÇÃO


Em animais de pequeno volume, como cnidários e alguns vermes, ou com uma grande rede de câmaras e canais internos, como as esponjas, os tecidos estão em contato direto com o meio ou então muito próximos da superfície corporal. Dessa maneira, a passagem de alimentos, as trocas gasosas e a eliminação de excretas podem ser facilmente executadas por difusão direta. Esse processo, relativamente lento, é eficiente apenas quando as distâncias a serem percorridas pelas substâncias são pequenas.
Com a evolução, porém, os animais se tornaram mais complexos, e muitos deles, mais volumosos, ficando seus tecidos e órgãos cada vez mais distantes entre si e do meio exterior. A difusão direta já não era mais suficiente para promover trocas rápidas entre as células e o meio. O surgimento de um sistema transportador veio, então, garantir a circulação das substâncias pelo corpo, efetuando a distribuição de alimentos, a retirada de excretas e as trocas gasosas. Esse sistema é basicamente constituído por uma rede de vasos; um órgão propulsor, o coração; e um tecido líquido, o sangue.


O SANGUE

O sangue é bombeado pelo coração para todo organismo via sistema circulatório. Através de seus glóbulos vermelhos transporta oxigênio dos pulmões para os tecidos e retira o gás carbônico dos tecidos levando-o para ser eliminado pelos pulmões. Através dos seus glóbulos brancos participa ativamente da defesa do organismo. O sangue contém ainda proteínas que regulam o sangramento. Outra função básica do sangue é o transporte de anticorpos, nutrientes, açúcar, gorduras, vitaminas e sais minerais.

Plasma

Contém aproximadamente 90% de água. Nele estão dissolvidas proteínas como a albumina, as globulinas, o fibrinogênio, as aglutininas, os anticorpos e muitas enzimas. Além disso, encontram-se no plasma aminoácidos, açúcares, colesterol, lipídios simples e substâncias resultantes da digestão, que são distribuídas às células. Há ainda materiais da excreção nitrogenada, como uréia, ácido úrico e creatinina, removidos dos tecidos. Da composição do plasma fazem parte também vitaminas, hormônios e sais minerais.

Hemácias

As hemácias (eritrócitos) são pequenas células discóides, bicôncavas e anucleadas. Em casa mm³ de sangue humano há cerca de 5 milhões delas, carregadas de hemoglobina, um pigmento respiratório transportador de oxigênio.
A hemoglobina forma um composto instável com o oxigênio. Essa propriedade garante uma pronta combinação com o oxigênio nos órgãos respiratórios, onde há alta tensão do gás, e fácil liberação desse oxigênio nos tecidos, onde ele se encontra em baixa tensão.

A CIRCULAÇÃO DUPLA

A circulação nos vertebrados, além de fechada, pode ser simples (peixes) ou dupla, nos animais de respiração pulmonar (anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Neste caso, existe um circuito pulmonar (coração – pulmão - coração), que constitui a pequena circulação, e um circuito corporal ou sistêmico (coração – corpo – coração), que constitui a grande circulação.
No ser humano, o coração tem quatro câmaras – dois átrios e dois ventrículos –, sendo a metade direita venosa (sangue com alta taxa de CO2) e a metade esquerda arterial (sangue com alta taxa de O2).

O coração e as válvulas

O coração tem quatro câmaras: dois átrios, que recebem sangue, e dois ventrículos, que impelem o sangue para fora. Nos pontos de saída das artérias pulmonar e aorta existem válvulas (válvulas semilunares), em forma de lâminas ou pregas, que evitam o refluxo do sangue para os ventrículos após a sua contração (sístole). A válvula tricúspide (com três lâminas) e a mitral (com duas lâminas) têm a mesma função, isto é, só deixam passar sangue num sentido. Anomalias nas válvulas (prolapsos) provocam refluxo parcial do sangue, comprometendo o trabalho cardíaco. Casos graves são conseqüências de infecção causada por um estreptococo que induz nosso sistema imunológico a atacar “por engano” as válvulas cardíacas, chegando a inutilizá-las. Isso leva à necessidade de cirurgias de implantes de válvulas artificiais, que requerem de abertura do coração.
O trabalho de bombeamento feito pelo coração é coordenado, implicando a entrada simultânea de sangue nos dois átrios, sua passagem para os ventrículos através das válvulas e a saída, por contração dos ventrículos.

Os vasos sangüíneos

Independentemente do tipo de sangue, venoso ou arterial, que transportam, as artérias são vasos que saem do coração, e as veias, vasos que levam o sangue de volta ao coração. Assim, tanto artérias quanto veias podem transportar sangue arterial, rico em oxigênio, ou sangue venoso. Em geral, artérias têm sangue arterial e veias, sangue venoso. No entanto, a grande artéria pulmonar, que sai do coração, transporta sangue venoso, e as veias pulmonares, que chegam ao coração, transportam sangue arterial. As artérias se ramificam em arteríolas, e estas em redes de capilares, que irrigam os tecidos. Os capilares unem-se constituindo vênulas, e estas se reúnem em veias que levam o sangue de volta ao coração.
A parece dos capilares é muito fina, pois é formada apenas por um epitélio simples, pavimentoso, o endotélio. Através dele ocorre à contínua troca de substâncias, por difusão, entre o plasma e os líquidos intercelulares.



O trabalho cardíaco

A contração (sístole) da musculatura cardíaca (miocárdio) determina uma pressão no sistema arterial ligado aos ventrículos. Essa pressão arterial, medida no momento da sístole (pressão sistólica), é de mais ou menos 120mmHg e cai para cerca de 80mmHg no momento da diástole (pressão diastólica). Dizemos então que, em condições normais, a pressão arterial deve ser de 120 por 80mmHg, ou simplificando, 12 por 8.

A linfa

A linfa assemelha-se ao sangue pela presença de linfócitos e de alguns leucócitos granulócitos. Não apresenta hemácias, plaquetas ou monócitos. As células predominantes são os linfócitos, lançados na linfa quando esta atravessa os tecidos linfóides dispersos pelo corpo. Circula numa extensa rede de capilares que acompanham os capilares sangüíneos na intimidade dos tecidos.

Os linfonodos

Ao longo da rede de vasos linfáticos dispõem-se pequenas estruturas globulares arredondadas, os linfonodos. Eles têm uma cápsula fibrosa externa e, internamente, um tecido reticular linfóide, com linfócitos, plasmócitos e macrófagos. Pode-se dizer que a linfa, ao percorrer o interior do linfonodo, é lentamente filtrada numa espécie de labirinto esponjoso, sofrendo a ação direta dos macrófagos e dos anticorpos produzidos pelos plasmócitos.
Numa região de infecção, os linfonodos podem se apresentar muito inchados, inflamados e dolorosos, sendo conhecidos popularmente como caroços ou ínguas, ocorrendo especialmente nas virilhas e axilas, ou ainda na região cervical (pescoço).
Outros órgãos linfóides, que variam em tamanho, localização são encontrados em muitas regiões do corpo. Os mais conhecidos são as to tonsilas (antigas amígdalas), o timo e o baço. Este último é o maior órgão linfóide e o único localizado no percurso de grandes vasos sanguíneos, no abdome.




A respiração

A respiração envolve um complexo processo bioquímico, por meio do qual as células desdobram substancias orgânicas para obter energia, o que é feito no hialoplasma e nas mitocôndrias. Na fisiologia, veremos a respiração quanto aos mecanismos de obtenção, difusão transporte e eliminação de gases respiratórios, realizados através dos órgãos respiratórios e de suas ligações com o sistema cardiovascular
As etapas são as seguintes:
· Trocas gasosas nos órgãos respiratórios;
· Transportes de gases pelo sangue;
· Trocas gasosas nos tecidos.

A solubilidade dos gasesOs gases nitrogênio, oxigênio e carbono difundem-se a partir da superfície de um liquido exposto ao ar atmosférico e nele se mantêm, num certo grau de dissolução.
Quanto maior a temperatura do liquido menor será a solubilidade do gás nele. Nitrogênio, oxigênio e gás carbônico apresentam solubilidade crescente na água. O gás carbônico é cerca de trinta vezes mais solúvel em água do que o oxigênio. O nitrogênio embora bem menos solúvel, encontra-se em alta taxa no plasma sangüíneo.

O sistema respiratórioO sistema respiratório é basicamente um conjunto de canais cujas ultimas e finas ramificações, os bronquíolos terminam em câmaras microscópicas, os alvéolos.
Os pulmões são dois sacos róseos, infláveis, protegidos por duas membranas, as pleuras, entre elas há uma fina camada de liquido viscoso, que lhe permite escorregar uma sobre a outra durante os movimentos respiratórios.
Os dois pulmões ocupam a cavidade torácica, limitada pelos ossos da caixa torácica e, inferiormente, por um músculo membranoso, o diafragma que separa o tórax do abdome.

Os movimentos respiratórios


Os movimentos de expiração e inspiração depende da ação dos músculos intercostais e do diafragma. Simultaneamente o diafragma se contrai e abaixa, determinando a expansão da caixa no plano vertical. Com isso, aumenta o volume interno do tórax e diminui a pressão sobre os pulmões, que se dilatam, recebendo ar do exterior. É a inspiração. Na expiração, os músculos relaxam, o volume interno da caixa torácica diminui, aumenta a pressão sobre as paredes pulmonares e há expulsão do ar.

As trocas respiratórias Na hematose o oxigênio passa dos alvéolos para o sangue, e o gás carbônico, do sangue para os alvéolos. Os gases se difundem no sentido da maior para a menor concentração.
A difusão se da através de duas camadas celulares que separam o ar alveolar do plasma sangüíneo. Uma é o epitélio pavimentoso dos próprios alvéolos e a outra é o endotélio dos capilares que se envolvem esses alvéolos.

O transporte de gasesOxigênio e gás carbônico são solúveis em água. Ocorre que, no sangue, eles existem em muito maior concentração do que na água. Em 100 mL de água, ou de plasma, podem estar dissolvidos 0,5 mL de oxigênio, enquanto 100 mL de sangue dissolvem 20 mL de oxigênio. Esta demonstrado que 15 g de hemoglobina em 100 mL de água também podem conter 20 mL de oxigênio, o que nos permite concluir que esse pigmento transporta praticamente todo o oxigênio.

A hematose pulmonar

A hematose pulmonar é um processo químico-molecular que visa a estabilização das trocas gasosas - oxigênio x gás carbônico - a fim de manter o equilíbrio ácido básico, ou seja, é a troca gasosa (oxigênio por dióxido de carbono) que se realiza ao nível dos alvéolos pulmonares.
Hemoglobina + 0² > Oxiemoglobina > Células > Hemoglobina + CO² > Carbohemoglobina > Alvéololos pulmonares > Hemoglobina + O²






A regulação do ritmo respiratórioNas artérias carótidas e na aorta existem regiões com receptores nervosos sensíveis a variações das taxas de gases no sangue. Se houver uma grande queda de O² no sangue, esses receptores mandam impulsos ao centro respiratório, localizado no bulbo, que envia estímulos aos músculos intercostais e ao diafragma, para acelerar o ritmo dos movimentos respiratórios, melhorando o suprimento de O² nos tecidos.
Outro mecanismo, prioritário, funciona por estimulo direto do centro respiratório, que é muito sensível a variação da tensão de CO² do sangue que circula pelo bulbo. Se essa tensão é alta, o centro respiratório envia impulsos nervosos para acelerar os movimentos respiratórios.

A capacidade pulmonarO volume total de ar que cabe no sistema respiratório é a capacidade pulmonar total e corresponde, num adulto, a mais ou menos 6 litros. A cada movimento respiratório de uma pessoa em repouso, os pulmões trocam com o meio exterior apenas 0,5 litro de ar, que é o chamado volume ou ar corrente. Só certo de 70% desse volume chega aos alvéolos, ficando o restante nas vias aéreas, o chamado especo morto, pois ai não há trocas gasosas.
Ao realizar uma inspiração e expiração forçada, o volume de ar que expelimos pode chegar a cerca de 4,5 ou 5 litros. Esse volume é a capacidade vital , que pode ser medida num aparelho especial, o espirômetro. No entanto por mais intensa que seja a expiração ela não permite um esvaziamento completo dos pulmões, sobrando sempre neles um volume de ar residual, cerca de 1,2 a 1,5 litros.


A excreção

A composição relativamente estável dos fluidos orgânicos é em grande parte garantida pela excreção, que permite a remoção das substancias em excesso, ou sua economia, se estiver faltando. Essa regulação contínua corresponde a um equilíbrio dinâmico, fator que leva a homeostase.
A excreção tem dois papéis básicos:
· Eliminação de substancias tóxicas de origem celular. Amônia, uréia e ácido úrico são substancias tóxicas nitrogenadas, originadas do metabolismo das proteínas. Acima de certa concentração nos líquidos biológicos, causam intoxicação das células e ate a morte.
· Regulação do equilíbrio hidrossalino (osmorregulaçao). Todas as células do organismo estão mergulhadas no sangue e em outros fluidos, com os quais se mantêm em equilíbrio osmótico. Qualquer modificação na concentração desses fluidos afeta diretamente as células, acarretando a entrada ou perda excessiva de água, no ultimo caso a chamada desidratação.


O sistema urinário
Os rins são órgãos pares, localizados na região dorsal, na linha da cintura, um de cada lado da coluna vertebral. Têm o aspecto de um grão de feijão e medem cerca de 10 por 5 cm. Externamente são protegidos por uma resistente cápsula de tecido conjuntivo fibroso.
Suas unidades excretoras, na realidade microfiltros, são os néfrons. Há cerca de 1 milhão de néfrons em cada rim.
A região central do rim que recolhe toda a urina é a pelve renal. Ela se estreita na saída do rim e passa a chamar-se ureter, um longo e fino canal que leva a urina á bexiga. Da região inferior da bexiga sai a uretra, um canal de expulsão de urina. Junto á saída do ureter, entra no rim uma grossa artéria renal e sai uma veia renal.

A formação da urina


A formação da urina é fundamentalmente um processo de filtração-reabsorção seletiva, integrado com mecanismos reguladores neurormonais.
O capilar de entrado do glomérulo apresenta alta pressão arterial, indispensável á eficiente filtragem do plasma. O liquido filtrado coletado pela cápsula é praticamente o plasma sangüíneo, sem proteínas. Esse liquido é chamado filtrado glomerular e contem água, sais, glicose, aminoácidos, vitaminas, uréia, etc.
Ao longo dos túbulos do néfron ocorre a reabsorção das substancias que saem do capilar glomerular. Algumas delas são reabsorvidas por transporte ativo, com gastos energéticos; outras, como a água, são arrastadas passivamente por osmose.
A formação da urina é um processo de filtração, seguido de uma reabsorção ativa, pois nem todas as substancias filtradas são obrigatoriamente reabsorvidas, tudo que ainda é útiu é reabsorvido.

O volume da urinaNa arteríola aferente que forma o glomérulo, a pressão é de 70 a 80 mmHg. A cada minuto é produzido um volume de 120 a 130 mL de filtrado aglomerular, que resulta em apenas 1 mL de urina, significa que 99% da água do filtrado é reabsorvida, voltando para o plasma sanquineo.
Se a pressão arterial na arteríola aferente cai para 50 mmHg, ou menos, cessa a produção de urina por impossibilidade de filtração do plasma nos glomérulos.

A composição da urinaA urina apresenta 95% de água e 5% de substancias orgânicas e inorgânicas dissolvidas. Em 1 litro de urina, cerca de 25 g são de uréia, o restante são basicamente de sais (9 g de NaCI), creatinina, ácido úrico e amônia.


O sistema nervoso

O sistema nervoso nos permite tomar consciência de problemas orgânicos, internos, alem de servir como um alerta, que indica quando algum fator ambiental não é favorável para as nossas atividades vitais ou para a nossa sobrevivência.






A origem do sistema nervoso
Nos cordados, o sistema nervoso origina-se do tubo neural, na região dorsal da gástrula, por uma invaginação da ectoderme. Na sua região anterior surge uma pequena vesícula cefálica que sofre dois estrangulamentos e forma três vesiculas. Em seguida, a primeira e a terceira se subdividem e a segunda se mantém única. Resultam, assim, as cinco vesículas definitivas que compões o encéfalo e das quais se estende a medula espinhal, para trás, ao longo da região dorsal.

O cérebro
O cérebro humano pesa em media 1 450 g. é formado por dois grandes hemisférios, ligados ventralmente por um grosso corpo caloso, constituído por fibras que associam os centros nervosos dos dois hemisférios.
A grande superfície externa cerebral, a matéria cinzenta, constituí o córtex onde ficam as camadas de neurônios. É no córtex que se localizam os centros ou áreas responsáveis pelo controle sensorial e motor.
Na região ventral do cérebro são bem visíveis os dozes pares de nervos cranianos, que podem ser sensoriais, motores ou mistos.
O cérebro é também a sede de importantes funções, como a inteligência e a memória, as quais, no entanto, não estão relacionadas a áreas especificas e bem delimitadas.

O cerebelo
Situa-se embaixo e na parte posterior do cérebro. divide-se em duas massas denominadas lobos cerebelares. Os lobos são ligados no centro pelo verme cerebral.
Da mesma forma que o cérebro, o cerebelo apresenta substância cinzenta na parte exterior e branca no interior.
A função do cerebelo é coordenar os movimentos do corpo para manter seu equilíbrio. Regula também o tônus muscular, que é o estado de semicontração que os músculos se encontram, para entrarem imediatamente em movimento, sempre que for necessário.

A medula espinhal


É um tubo nervoso, com aproximadamente 45 centímetros de comprimento e 1 centímetro de diâmetro, situado dentro da coluna vertebral. Na parte superior, a medula está ligada ao bulbo, como se fosso uma continuação desse órgão.
A medula espinhal possui também a substância branca na parte externa e a cinzenta, na interna. A substância cinzenta se dispõe na forma de um H, cujos ramos dão origem às raízes nervosas que saem da medula.
A medula espinhal tem duas funções:
• Conduzir os impulsos nervosos do corpo para o cérebro. Essa função é realizada pela substância branca.
• Produzir os impulsos nervosos. Essa função é realizada pela substância cinzenta. A medula é capaz de coordenar os atos involuntários ou inconscientes, como retirar o deio rapidamente de uma panela de água fervendo.

O sistema nervoso periférico (SNP)

É formado por um conjunto de nervos que podem ser classificados em dois tipos: raquidianos e cranianos.
Nervos Raquidianos
São 31 pares de nervos que partem da medula espinhal e se ramificam por todo o corpo. Os nervos raquidianos são formados pelas raízes nervosas que se iniciam nos ramos que formam o H da substância cinzenta da medula espinhal.
Quanto à transmissão dos estímulos nervosos, os nervos podem ser de três tipos:
• Sensitivos: Levam os estímulos nervosos do corpo para o cérebro.
• Motores: Levam os estímulos nervosos do cérebro para o corpo.
• Mistos: São sensitivos e motores, simultaneamente.
Na realidade, os nervos raquidianos são mistos, pois são formados por duas raízes nervosas: a raiz anterior, que é motora, e a raiz posterior, que é sensitiva.
De acordo com as regiões da coluna vertebral, os 31 pares de nervos raquidianos distribuem-se da seguinte forma:
• oito pares de nervos cervicais;
• doze pares de nervos dorsais;
• cinco pares de nervos lombares;
• seis pares de nervos sagrados ou sacrais.
Nervos Cranianos
Os nervos cranianos são constituídos por doze pares de nervos que saem do encéfalo e se distribuem pelo corpo. Podem ser sensitivos, motores ou mistos.
A seguir, apresento a relação desses doze pares de nervos e suas respectivas funções.
• Óptico: Conduz os estímulos de luz do globo ocular para o cérebro.
• Motor ocular comum: Estimula a contração dos músculos que movimentam os olhos para baixo e para cima.
• Motor ocular externo: Estimula certos músculos dos olhos, movimentando-os lateralmente.
• Auditivo: Conduz para o cérebro os estímulos sonoros e os impulsos responsáveis pelo equilíbrio.
• Olfativo: Conduz os estímulos do olfato para o cérebro.
• Trigêmeo: Leva ao cérebro a sensibilidade da parte superior da face e dos dentes. Estimula também os músculos que movimentam o maxilar inferior.
• Glossofaríngio: Conduz os estímulos do paladar para o cérebro e movimenta os músculos da faringe.
• Hipoglosso: Estimula os músculos da língua.
• Patético: Estimula certos músculos dos olhos, movimentando-os para os lados e para baixo.
• Facial: Estimula os músculos da face, as glândulas salivares e as lacrimais.
• Pneumogástrico ou Vago: Estimula o coração, os pulmões, o estômago e o intestino, entre outros órgãos, dando movimento e sensibilidade às vísceras.
• Espinhal: Estimula os músculos do pescoço, permitindo a fonação e os movimentos da cabeça e da faringe.








As meninges e o liquor





A integridade do encéfalo e da medula é garantida não só pela caixa craniana e pelas vértebras, mas também por três resistentes invólucros, as meninges. Essas membranas são: a duramáter (mais grossa), a aracnóide e a pia-máter (fina), a ultima em contato direto com o tecido nervoso. Entre a aracnóide e a pia-máter há um espaço preenchido pelo liquido cefalorraquidiano ou liquor. Trata-se de um fluido incolor que também preenche os ventrículos encefálicos e um fino canal interno da medula. Uma de suas principais funções é amortecer choques mecânicos e regular a pressão no interior de todo o sistema nervoso.
Sistema Nervoso Autônomo
Como o próprio nome diz, o sistema nervoso autônomo é aquele que funciona independentemente de nossa vontade. É ele que controla as funções da vida vegetativa, como a digestão e a respiração.
O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes:
• Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formados por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares.
• Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição, como o estômago, o coração e os pulmões.
• Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos, fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema nervoso cefalorraquidiano.
O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parasimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias. Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.

Os reflexos


Os reflexos são, atos involuntários, rápidos, conscientes ou não, que visão a uma proteção ou adaptação do organismo, quando este recebe um estimulo periférico. Eles ocorrem por estimulação física ou química, e dependem de uma serie de estruturas para que se efetive a reação ou ação reflexa. Essas estruturas constituem o arco reflexo simples. São elas:
· Receptores na pele, nas mucosas, nos tendões, nos músculos;
· Nervos aferentes ou sensitivos, que leve o impulso nervoso ate o centro nervoso;
· Centro nervoso, coordenador, que pode ser encéfalo ou a medula espinal;
· Nervo eferente ou motor, que leva o impulso nervoso para o órgão efetuador;
· Órgão efetuador, glândula ou músculo, que reage caracterizando o ato ou ação reflexa.